quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Das bicicletas

Já lá vão alguns anos desde que aprendi a andar nela. A primeira era toda branquinha com um cesto à frente e rodinhas atrás.
Chegava a hora e lá vinha eu, o meu irmão e a minha mãe para ajudar. Sentada, a minha mãe segurava nela, eu começava a pedalar e ela continuava a segurar no banco. Eu pedalava mais e ela acelarava o passo. Ela corria. Ela largada tudo. Eu caía.
Vezes e vezes sem conta. Aprendi. Mas as marcas ficaram cá. Esfolava joelhos, braços, cabeça. Mas cada vez andava melhor.
Aprendi a subir passeios, descer escadas, andar sem mãos, no trânsito, terra batida.
Caí, chorei, fui parar ao hospital mas, aprendi. As marcas estão cá. Esboço um sorriso.

Hoje, se tiver que voltar a andar não posso garantir que não me volto a magoar. Mas é diferente. Já sei sarar as minhas feridas. Não preciso que me segurem no banco. E, se cair levanto-me muito melhor.

Achei que era altura de ensinar o coração a pedalar. Pus-lhe rodinhas, segurei-lhe o banco. Andei rápido. Mais rápido. Corri. Larguei. Caiu. Sarei-lhe as feridas. Voltei a tentar, uma e outra vez.

Espero que aprenda depressa, olhe para as feridas e... Sorria!

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