quarta-feira, 20 de junho de 2012

Os quase 27!

Chego a esta idade em que já sei o que é perder tempo e que uma vez perdido, não volta para trás.
Sei qual é a felicidade de acordar feliz para ir trabalhar e de chorar só de pensar em fazê-lo.
Sei apreciar una saída à noite barulhenta, beber uns copos, sexo no vancouver de um carro, regressar a casa com o sol a nascer embora já prefira um bom jantar com amigos e o quente dos lençóis.
Já fiz sofrer e já sofri. Já dei e já recebi.
Enterrei alguém de quem muito gostava e percebi que tudo na vida tem um fim mas também, um começo.
Chego a esta idade, assim, sem jeito por achar que nunca é tarde, que nada me prende. As coisas guardo no coração para sempre. De resto, posso sempre desfazer a mala da insatisfação e... Recomeçar!

segunda-feira, 26 de março de 2012

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Expectativas

Ando há que dias e dias a pensar em escrever sobre isto nas é-me tão difícil de o pôr pôr palavras que o deixo sempre para depois.
O depois é agora.
E é agora que digo que esta coisa das expectativas chateia-me de morte. Desculpem-me a hiperbole.

Não quero expectativas. Não as quero ter em relação a nada, nem que as tenham em relação a mim. Não esperem que faça o que não me apetece, que vá onde não quero, diga o que não sinto. Não.
A única expectativa que podem ter em mim, é que eu não espero nada de vocês.
E não, não deixei de acreditar nas pessoas, nas amizades, no amor, nem nas mais diferentes balelas.

Não é fácil mas é simples...
As pessoas são o que são.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Das bicicletas

Já lá vão alguns anos desde que aprendi a andar nela. A primeira era toda branquinha com um cesto à frente e rodinhas atrás.
Chegava a hora e lá vinha eu, o meu irmão e a minha mãe para ajudar. Sentada, a minha mãe segurava nela, eu começava a pedalar e ela continuava a segurar no banco. Eu pedalava mais e ela acelarava o passo. Ela corria. Ela largada tudo. Eu caía.
Vezes e vezes sem conta. Aprendi. Mas as marcas ficaram cá. Esfolava joelhos, braços, cabeça. Mas cada vez andava melhor.
Aprendi a subir passeios, descer escadas, andar sem mãos, no trânsito, terra batida.
Caí, chorei, fui parar ao hospital mas, aprendi. As marcas estão cá. Esboço um sorriso.

Hoje, se tiver que voltar a andar não posso garantir que não me volto a magoar. Mas é diferente. Já sei sarar as minhas feridas. Não preciso que me segurem no banco. E, se cair levanto-me muito melhor.

Achei que era altura de ensinar o coração a pedalar. Pus-lhe rodinhas, segurei-lhe o banco. Andei rápido. Mais rápido. Corri. Larguei. Caiu. Sarei-lhe as feridas. Voltei a tentar, uma e outra vez.

Espero que aprenda depressa, olhe para as feridas e... Sorria!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Cheiros

Onde te leva o cheiro?
Chegas a casa e, ainda no quintal, sabes que o lume está acesso. Inspiras e apressas o passo. Tens o calor à espera.
Chegas a casa e, fechas os olhos. Não muito tempo, segundos apenas. Cheira a bolo quente, cheira a banho tomado, café feito, dia de limpeza, perfume do pai, roupa lavada. Cheira a lar.
Sinto o teu cheiro enquanto passas. O cheiro da tua casa. O cheiro do teu carro. O cheiro de um dia de trabalho, um jantar demorado, uma saída  de copos e cigarros, uma noite que está quase a ser dia e, ainda assim.. Cheiras sempre tão bem. Não preciso de olhar. Não olho. Nunca.  Sinto-te. O cheiro do teu perfume, o cheiro da tua pele. A mistura de ambos na minha pele quando anoitecemos.
É tudo o que fica.
O cheiro.

Memórias

Lembro-me tão bem...
De brincar na terra
Aprender a andar de bicicleta
Partir a cabeça, o queixo, o braço
O primeiro fato de carnaval
O cheiro das casas das minhas amigas
Os passeios ao domingo com os meus pais
Os dias de escola
As tardes a brincar
As noites estreladas

Lembro-me tão bem...
Do semblante por vezes carregado da minha mãe
De como me explicava pacientemente que a vida dos adultos, gente crescida dizia-me ela, nem sempre era fácil

Lembro-me tão bem...
De não a compreender.

Mas ela não me explicou tudo.
Eu não ia ouvir
Não me disse que é bom crescer
Tomar decisões
Escolher o caminho
Perder o norte
Partir e voltar

Não me lembro...
De a ouvir dizer que nem tudo corre bem
Que nem sempre se sabe para onde ir
Quando parar, insistir, desistir, mudar, ficar. Que às vezes recebes mais do que dás, ris mais do que choras, amas, sofres, perdes e ganhas.
Que há momentos em que só queres o teu pequeno lugar no mundo, a tua toca.

E, não te lembrares de mais nada.

Homeland


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Rotinas

Gosto de rotinas. Ponto. Podia ficar por assim mesmo, mas não.
Gosto muito de rotinas.
Não é por acordar à mesma hora, beber café no mesmo sítio, repetir restaurantes, jogos, piadas, tarefas, chatices, amigos, responsabilidades, contas, sorrisos...

Gosto de rotinas que trazem pessoas escondidas. São pessoas, como eu, como tu, como toda a gente.
Os amigos, os conhecidos, estes e aqueles.
Rotinas, pessoas, olhares cúmplices, histórias.
Gosto de pessoas e de anoiteceres, de anoitecer contigo.
Afinal, falar de rotinas foi só uma desculpa.


Família

Tu, que fazes bolos como ninguém.
Tu, que cuidas de mim e do meu irmão como se ainda fôssemos dois bebés que gatinham.
Tu, que ainda esperas acordada pelo meu pai.
Tu, que olhaste pelo avô nas horas mais duras e bem sei o que te custou.
Tu, que quando o avô morreu foste para o hospital e pensei que iria ficar também sem ti.
Tu, que me pedes para não chegar tarde afinal de contas "amanhã mais trabalhar".
Tu, que me acordas de manhã porque afinal, cheguei tarde.
Tu, que és uma refilona. Eu, que saí a ti.
Tu, que hoje fazes 81 anos: Parabéns avó!
Hoje, anoiteco contigo.


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Livros

Calvino, Calvino, Calvino...
Insistes tanto para que fique confortável, que tire os sapatos, que estique as pernas, feche a porta, mas, do que gosto mesmo mais é quando me dizes para não esperar nada deste livro. Que já não espero nada de nada de nada de nada.
Percebo o que dizes. Verdade que percebo.
Agora tu, será que percebes o que te quero dizer? Não. Até porque ainda não o disse.
Eu sei que, não esperar nada é receber tudo e nunca, mas mesmo nunca ficar desapontado. Expectativas meu caro.
E quando anoitece, do que é que ficamos à espera?
Percebes Calvino?
É que mesmo que tu não esperes sabes que há sempre alguém que espera de ti. Confuso isto!


Lugares

Simples, calmo, acolhedor.
Como este há muitos. Por aqui, por aí, em toda a parte.
Este é o meu.
É aqui que, enquanto a música toca sem que se lhe repare muito, enquanto a madeira queima na lareira, enquanto saboreio o vinho que escorreu para dentro do copo.. É aqui que gosto de anoitecer!


Os Estrangeiros

O pai, 50 anos, baixinho, sorriso nos lábios, engenheiro lá na terra dele.
O filho, sorri como o pai, criança lá na terra dele.
Aqui, são os Ivans das obras. Não há pai, não há filho. São os primeiros a chegar, os últimos a sair.
No verão, partem de carrinha. Sei para onde vão.
No regresso, trazem nostalgia no olhar.
Mas, quando anoitece, como é que aquecem o coração?


domingo, 5 de fevereiro de 2012

Anoiteces

Porque alguém me lembrou que a cada momento pode sempre corresponder uma palavra.
Porque se pode tentar escrever sem o saber.
Porque há tanto a partilhar.
Hoje fico por aqui.
Amanhã, não sei.
Anoiteces?